terça-feira, 20 de dezembro de 2011

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Lá vai o poeta

(Afonso Dantas)

Reza a lenda que um poeta – não me recordo se foi Vinícius de Moraes ou o bardo Juca chaves (quem quiser que consulte o Google para descobrir) – ao se hospedar em um hotel, escreveu ao lado da profissão: Poeta. E o hoteleiro ao ler aquilo, exigiu pagamento adiantado...
Se isso foi verdade, eu não sei, mas assim é tratado o poeta, quase sempre visto com desconfiança ou até com um misto de pena e simpatia, daquela dedicada aos loucos e palhaços, pois poesia sempre foi considerada uma arte dos lunáticos.
A oportunidade e ousadia de viver a poesia é que deve ser o grande segredo, pois conheço muitos “poetas” - juízes, médicos, advogados, empresários – que se dizem poetas, mas que se refugiam desse chamado “amor à Lua”, em seu dia-a-dia massacrante e tedioso e quando se encontram com um poeta que realmente parece “viver a poesia”, ficam maravilhados e ao mesmo tempo, temerosos, pois sentem vergonha e medo de seu comportamento, ou no fundo, uma grande inveja desse modo de vida livre, mas nada ortodoxo.
Comecei em propaganda, vendo diretores de arte e redatores saindo com suas pranchetas e cadernos debaixo do braço para criar as grandes campanhas publicitárias que venderiam os produtos e serviços da agência onde eu estagiava. E, na volta, bronzeados de Sol e destilando aromas nada naturais em horário de expediente, mostravam belas e eficazes campanhas perante o espantado olhar do atendimento a beira de um ataque de nervos e o meu olhar de pura admiração e, assumo, um pouco de inveja.
Hoje a estrutura é bem diferente, os prazos são mais curtos e dificilmente alguém da criação se desconecta da equipe de planejamento. Ou seja, ficou um pouco mais sem graça. A poesia parece que escapou por alguma janela.
Vi e vejo muitos poetas, que vivem a poesia na sua melhor expressão, livres e entregues à vida sem pudores e sem medo, como os poetas grapiunas Ramon Vane e José Delmo, que sorvem as experiências, traduzindo-as de forma muito especial e marcante. (agora recomendo o Google para conhecê-los)
Firmino Rocha, poeta considerado louco ao perambular ébrio pelas ruas de Itabuna, Bahia, na madrugada, tem seu poema “Deram um fuzil ao menino” gravado em bronze no prédio da ONU, em Nova York, embora em vida, sempre era apontado com pena e desdém: “- lá vai o poeta!”
Pois lá vai o poeta e lá vem a vida, atropelando esse comportamento mágico e precioso, que deve ser compreendido e protegido, para que a vida não fique sem graça, afinal “O poeta é a pimenta do Planeta. Malagueta!”




Afonso Dantas é meio poeta, publicitário, sócio e diretor de criação da Camará Comunicação Total e o principal, é pai de Maria.
Twitter: @Afonso_Dantas e-mail: afonso.dantas@camaracomunicacao.com.br

Somos SETE BILHÕES

Geraldo Dantas

Lenta e progressivamente o mundo vai aumentando a quantidade de pessoas, e em questão de segundos, sempre adicionando números maiores ao estoque dos terrestres. Essa progressão não é condizente com a quantidade dos alimentos produzidos, pois existe um hiato entre a oferta e a demanda, com déficit crescente, mesmo com atitudes tomadas, e por mais louváveis que sejam as conquistas da biotecnologia - com os crescentes aumentos dos indicies de produção e produtividade, se produzindo mais em áreas menores – são incipientes, pois a FOME continua a ser uma constante na história da humanidade.

A novidade é termos atingido essa quantidade de pessoas nestes dias, não chegando a ser uma marca alviçareira, pois a cada dia a quantidade de famintos continua aumentando, e cabe á nós – pessoas que lidam com a terra – a resposta na prática com o aumento da produção, para saciar a fome dos novos consumidores, principalmente com a carga potencializada, diante do aumento do fluxo migratório universalizado, relativo ao direcionamento da população para as cidades. Trazendo o pensamento para os que habitam o “planeta cacau”, a situação é deveras preocupante com o futuro da atividade cacaueira, pois se de um lado, por questão de sobrevivência pessoal, os produtores são obrigados a aumentar o que produzem, por outro, fruto das conseqüências malévolas da “vassoura de bruxa”, as Políticas Públicas até aqui adotadas, NÃO conseguem ultrapassar o caos financeiro a que os produtores ficaram subjugados, e na grande maioria, sem possuir outras fontes de subsistência, são sérios candidatos ao abandono da atividade, desistindo de continuar no “marasmo” atual, se auto-enganando, com produções pífias que sequer cobrem o custo de produção. Enquanto não for finalizado o equacionamento do PESA-CACAU, todas as ações serão meramente paliativas e não atinge o âmago da questão, liberando ao menos os que querem produzir, para serem beneficiados com os auspícios do CRÈDITO, e possuírem a capacidade de reverter essa situação construindo uma NOVA CACAUICULTURA. Os problemas agronômicos já foram ultrapassados, existindo exemplos de sucesso que podem ser imitados, porém, persistindo a herança maldita dos débitos em cascata, onde o PESA e a SECURITIZAÇÃO são destaques, as amarras persistem inviabilizando atitudes edificantes, e a “não produção” fica transformada em regra imperativa. Continuando o faz de conta do Governo, dizendo que faz porém sem alcançar o epílogo dessa novela que se arrasta por mais de 20 anos, o grande problema sociológico persiste, com o desemprego, o êxodo rural, a migração acelerada e o inchamento das cidades da região, que trouxe no seu bojo a promoção direta da miséria; do índice de criminalidade; da mortalidade infantil e da FOME. Os fatos são visíveis a olhos nus, pelo destaque que ITABUNA vem conquistando na mídia Nacional, e mesmo sem apresentação das CAUSAS, nós, que pisamos este chão, possuímos o sentimento de sufoco gerado pela circunstância, e por conhecer de cátedra todo o fundamento desta epopéia, principalmente por ter a nossa cidade uma população de 206.000 habitantes, onde 98% habitam na cidade Com todo esse “imbróglio”, fica a preocupação futurista: a população da Terra aumentando; das nossas Cidades “inchando”; das fazendas cacaueiras esvaziando, e a pergunta que paira no ar – mesmo com tanta gente, quem vai cuidar das roças?

GERALDO DANTAS, Eng° Agrônomo e Produtor Rural

Artigo publicado originalmente no site www.mercadodocacau.com.br

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